terça-feira, 18 de junho de 2013

O Número da Besta



Como é por muitos sabido, o nº 666 é associado ao demónio, tendo já sido fonte de inspiração para filmes e música.


As origens do nº 666 como conotação negativa virão do Livro do Apocalipse, no Novo Testamento da Bíblia. Parafraseando 13:16-18:
"E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na mão direita ou na testa, para que ninguém possa comprar ou vender , senão aqueles que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é número de homem; e seu número é seiscentos e sessenta e seis"
O porquê de tal número será uma curiosidade da qual podemos especular de alguma forma. A mais óbvia será a da alusão ao imperador romano Nero, que terá incendiado Roma.
Nero seria o sexto imperador de Roma, e de acordo com antiga tradição, o seu nome escrito em hebraico teria o valor de 666. Aliado a esta curiosidade, vem o facto de que João o apóstolo escreveu o livro do Apocalipse durante o império de Nero ou pouco depois (cerca de 60 DC).


A título de curiosidade, quando a tradução é feita para latim, o seu valor fica em 616. Foi encontrada em alguma documentação arcaica a indicação de que o número da besta seria 616 e não 666, ou seja, confirmando a teoria de que o número da besta é uma referência a Nero.
A alusão à marca na mão ou na testa viria possivelmente do costume da marcação dos escravos por parte dos romanos.

Muitos prognosticaram, de acordo com a profecia apocalíptica em torno deste número, que o mundo acabaria em 1666 (e, quem sabe, mesmo no ano de 666, mas não há indícios escritos para tal). Obviamente tal não aconteceu.

Mais grave do que profecias inconcretizadas, foi o facto que que a tradução do nome do profeta Maomé (em Grego antigo Maometis) também se calcular ter um valor de 666, tendo sido argumento forte para justificar as cruzadas, indicando que o profeta Maomé seria de facto a besta referida no Apocalipse.



Em termos contemporâneos, onde há um interesse acrescido pelo misticismo, o número da besta é referido em várias obras de arte, entre pintura a música, passando pela indústria cinematográfica. É também fonte de inspiração para diversos cultos, numa era onde a expressão e liberdade religiosa não é alvo de censura (pelo menos não oficialmente) como outrora.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ponderar sobre o oculto

Um recente evento, muito triste e marcante para mim, levou-me a longas horas de pensamento e monólogo acerca do que acredito ou não.



Até à data, sempre fui cético no que diz respeito ao sobrenatural.

Ou seja, sempre senti uma atração por ele, mas na prática não sei se o acreditei ou o levei mais sério que uma mera curiosidade. Hoje em dia não é bem assim.

Continuo a duvidar, mas as coisas que me dizem e aquilo que sinto entra em conflito com o meu raciocínio.

O que é real? É o que vemos ou o que nos dizem que existe?
Muito do oculto nem sequer é minimamente lógico, mas será que isso faz com que não exista?

Vejamos as lendas todas que coloco neste blog. Claramente temos ideia de que serão mitos criados pela mente humana para explicar acontecimentos do dia-a-dia. Será certamente mais fácil para os Vikings falar de Thor para justificar os relâmpagos do que acreditar que é um fenómeno elétrico (porque não sabem na altura o que é eletricidade).

No entanto, por mais que saibamos que não passamos de um grão de pó no vasto universo galáctico e por mais que saibamos que o lógico está à vista (por assim dizer), continuamos a ser compelidos a acreditar em coisas como Deus, o Karma, a sorte...
O que é real então?

domingo, 16 de junho de 2013

Abaddon



Quem foi Abaddon?

Para muitos de nós, excetuando talvez aqueles que leram muitos livros do fantástico, Abaddon é um nome desconhecido. Apollyon será um outro nome que lhe é conferido.


Abaddon foi identificado como sendo o anjo do abismo (literalmente: poço sem fundo), reconhecido por lá ter preso o diabo durante um milénio. Não o tomemos por benevolente porém, o seu nome estará rodeado de mistério, porque enquanto que por um lado é julgado como anjo por ter prendido o diabo, por outro o seu nome quererá dizer caos e destruição, sendo também identificado como um anjo caído. Curiosamente, Apollyon é tambem outro nome para inferno na Grécia antiga.
Para aumentar a ambiguidade relacionada com Abaddon, no Tarot o mesmo será representado pela carta do julgamento, o que lhe confere uma posição neutra e justa.

Apocalipse 9:11: E tinham sobre si rei, o anjo do abismo; em hebreu era o seu nome Abaddon, e em grego Apollyon.

Na Bíblia o nome prende-se igualmente com a silhueta do mistério. Se por um lado é identificado no livro do Apocalipse (note-se que apenas a tradução para português retrata o nome como Apocalipse, ou seja, o "fim do mundo". Noutras línguas o nome do livro será Revelações) como sendo o rei das criaturas que emergem do abismo evocando o caos e destruição, da mesma forma julga-se que será uma ferramenta de Deus e não um ser maléfico (tanto que pelo caminho atira o diabo para o abismo).

Como tantos outros seres religiosos ou mitológicos, a realidade é inatingível, sendo sempre alvo na nossa interpretação pessoal.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Sétimo Filho



A cultura do obscuro, do transcendente e do que está para lá da realidade é algo com que nos deparamos constantemente na tradição do místico.

No entanto, rara será a pessoa que realmente alguma vez na sua vida teve ou terá contacto com o sobrenatural, ou pelo menos contacto lúcido que possa comprovar que não se tratou de um sonho ou algum tipo de ilusão.
Um tipo de pessoa que, segundo a tradição, consegue contactar com o "além", será o sétimo filho. O sétimo filho é frequentemente tido como clarividente ou portador de algum tipo de visão profética, ou melhor e mais corretamente: o sétimo filho do sétimo filho.

Livros actuais como "The Seventh Son" por Orson Scott Card ou albuns de música como "Seventh Son of a Seventh Son" dos Iron Maiden, retratam este assunto profético enraizando a sua obscuridade natural.
No entanto o mito do sétimo filho vem desde a antiguidade. Ele é não só retratado no Velho e Novo Testamento como é referido em quase todas as culturas da antiguidade, sendo quase sempre referido como "o Divino" ou "o Escolhido" e evidenciando os seus poderes místicos.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Quetzalcoatl



Na antiga religião dos povos da América Central, onde se contam entre os mais famosos, os Aztecas e os Maias, acreditava-se que um dos deuses do seu panteão seria uma serpente como penas, ou seja Quetzalcoatl (Quetzal = Penas de um tipo de pássaro; Coatl = Sepente). Este deus seria o deus do vento, da creatividade e da fertilidade.

Quetzalcoatl era, como muitas das divindades, uma criatura paradoxal, ou melhor, os homens fizeram desta divindade uma contradição. Se por um lado Quetzalcoatl era adorado com sacrifícios de animais dado que o mesmo era contra o sacrifício humano, por outro lado está escrito que os Aztecas, na reconsagração da Grande Pirâmide de Tenochtitlan, sacrificaram cerca de 84.000 prisioneiros em 4 dias...






Quetzalcoatl tem uma história ligada aos astros de uma forma única. É dito que Quetzalcoatl foi expulso do seu reino, Tula, por Tezcatlipoca e ao chegar à costa leste do México, ter-se-há cremado numa pira funerária. Ao fazer este acto, o seu coração subiu aos céus por entre as cinzas e transformou-se na Estrela da Manhã (na verdade o planeta Vénus). Visto que o planeta Terra e Vénus têm ciclos anuais diferentes, a Estrela da Manhã e as suas cíclicas transformações em Estrela da Noite formam um complexo ciclo de 52 anos, o qual é celebrado com o nome de "uma palha", ano em que Quetzalcoatl reapareceria como senhor dos Toltecas, povo de Tula.


Uma das maiores curiosidades acerca de Quetzalcoatl, e a que possivelmente levou à conquista dos povos da América Central pelos espanhóis, terá sido a de que o deus em questão teria uma cara feia, pelo que teria deixado crescer a barba para a esconder e por vezes usava uma máscara branca. Dado que os invasores espanhóis seriam muito brancos comparados com os povos locais e visto que usariam quase todos barba, pensou-se que seriam Quetzalcoatl, pelo que os povos locais, em vez de se defender, ajoelharam-se em adoração.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Aquiles





Um dos heróis mais célebres da antiga Grécia, que tanto toca o real como o mitológico, será sem dúvida Aquiles. Celebrado originalmente na cultura popular e na Íliada de Homero, Aquiles o guerreiro será um dos personagens de maior destaque no episódio da guerra de Tróia.

O nome Aquiles, deriva da conjunção das palavras Akhos (angústia) e Laos (povo, tribo), ou seja, Aquiles poderá ser interpretado como a angústia do povo, ou de uma nação.

Aquiles, segundo reza a lenda, seria filho de Peleus, rei dos Mirmidões e de Thetis, uma ninfa do mar. Segundo poema escrito numa época mais tardia (Séc. 1 dc, sendo que Aquiles teria vivido no Séc. 13 ou 12 ac) Thetis, querendo conferir a imortalidade a seu filho, terá mergulhado o mesmo no rio Styx, mas por lapso terá deixado de fora o calcanhar, que se terá revelado o seu ponto fraco e a sua fatalidade. Aquiles terá desenvolvido a sua capacidade de guerrear mais profundamente dado que não foi criado por seus pais mas sim por Chiron o Centauro, que conta entre os seus pupilos o semi-deus Héracles (vulgo Hércules).

Aquiles terá sido um dos poucos mortais que terá tido alguma relevância entre os deuses, de uma forma bastante irónica. Zeus e Poseídon seriam rivais na conquista de Thetis, mas foram alertados por Prometeu o Titã, que Thetis traria no seu ventre um homem maior que o seu pai, o que de certo modo intimidou o deus supremo e o deus do mar, desistindo desta forma da sua conquista cedendo a mão de Thetis a Peleus.

Aquiles será também, dada a sua natureza supra-humana, o único mortal segundo a mitologia grega que é tocado pela Menis, uma raiva avassaladora que afeta unicamente os imortais. Leia-se as duas primeiras linhas da Ilíada:


Raiva - canta Deusa, a Raiva de Aquiles, o filho de Peleus,
a Raiva destruidora que trouxe incontáveis angústias aos Aqueus...